
em 05/10/2003 por RecifeRock
Depois do Som da Sopa tem Otto e Nação Zumbi no Bem Brasil. Dá prá perder ? NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
olha o release:
Nacão Zumbi e Otto ( ao vivo ) – 05/10/2003
Já imaginou um programa com os shows de Nação Zumbi e Otto? Nós não só imaginamos…como faremos! Não percam, das 14h às 15h30, as maiores forças do maracatu nacional dividindo o palco do BB.
NAÇÃO ZUMBI NO BB:
19/05/1996 – Chico Science E NAÇÃO ZUMBI
05/07/1998 – O RAPPA E NAÇÃO ZUMBI
29/08/1999 – MESTRE AMBRÓSIO E NAÇÀO ZUMBI
18/07/2000 – Mundo Livre S/A E NAÇÃO ZUMBI
27/10/2002 – STÉREO MARACANÃ, LAMPIRÔNICOS E NAÇÃO ZUMBI
Como demonstra o som que sai das caixas no decorrer das doze faixas que formam seu novo disco, a Nação Zumbi em 2002 está tecnicamente melhor ainda (a todo instante na busca da batida perfeita) e especialmente inspirada, nesse que é o quinto álbum de uma carreira consolidada ao longo de dez anos de retumbantes rituais afrociberdélicos por tudo quanto é palco do Brasil, EUA e Europa.
Ao contrário dos discos anteriores, todos chapados de forte conceituação, dessa vez a Tropa de Todos os Baques só se valeu de um punhado de canções poderosas e originais na melhor tradição dos grandes discos de soul dos anos sessenta. Tanto é que o trabalho leva apenas o nome da banda.
Certa vez durante um show da Nação, meu amigo Black Alien comentou que “eles são todas as bandas em uma só e isso sem jamais perder a personalidade própria”. Diante do repertório presente neste CD, a afirmação se faz valer como nunca. Tem peso (o hino-instantâneo “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada” e “Tempo Amarelo”), funky grooves (“Amnesia Express” e “Know Now”, ambas temperadas por um inglês de latino, tão difícl de captar quanto o patuá da Jamaica), afro-futurismo (“Ogam de Bellê”, cantada por Toca Ogam e “Caldo de Cana”) e até baladas psicodélicas como “Prato de Flores” (que poderia ter sido escrita pelos Mutantes) e “O Fogo Anda Comigo”, aveludada e misteriosa como a Laura Palmer do filme de David Lynch (de onde a música empresta seu título).
Completam a lista “Faz Tempo”, que faz referência aos anos 80 tanto no vocal e letra – que remetem ao samba eletrônico do Fellini – quanto na batida
electro estilo Afrika Bambaataa, “Mormaço” e “Propaganda” (par de balanços ganchudos do tipo que os fez famosos), mais a flutuante “Blunt of Judah” – esfumaçado convite a viajar que abre o disco.
E o safari sônico dos zumbis traz de brinde uma penca de convidados especiais, convocados a somar em todas as etapas do processo de confecção
desse quinto rebento. Na parte de composição, Jorge Du Peixe assina a letra de “Propaganda” em parceria com um certo Audiolandro (do Mamelo Sound
System, que também faz vocais na faixa), e com RogerMan (do Bonsucesso Samba Clube) a de “O Fogo Anda Comigo” sem dúvida um dos pontos altos do disco, na qual brilha a voz de Nina Miranda (do cultuado Smoke City).
A outra dama que canta no álbum é Dona Cila, verdadeira entidade dos ritmos utilizados na alquimia sonora da banda. Além dela, foram convocados a adentrar o terreiro da Nação Zumbi: Catatau (o Cidadão Instigado, que também toca com Otto), Dj Marcelinho e o organista John Medeski – filhote de Jimmy Smith & cia. que, ao lado da cozinha de Martin & Wood, forma um dos mais famosos combos de jazz da Blue Note atualmente.
No quesito produção, o grupo divide os créditos ora com o experiente Arto Lindsay, ora com a força jovem do núcleo Instituto. Mas os manos da NZ são unânimes na afirmação de que o bicho pegou mesmo na mixagem feroz de Scott Hard. Engenheiro de som de clássicos do hip-hop como “De La Soul Is Dead” e “Wu-Tang Forever”, o gringo deu o tapa final no som ao acrescentar timbres e filtros exatos para a dinâmica e o clima de cada música, além do tratamento dub que “enverniza” o CD de cabo a rabo – digno do mago de estúdio Bill
Laswell (com quem Hard já deu um trampo).
Como testemunha auditiva da história dos mangue-boys desde 1993, posso afirmar sem dúvida que a Nação Zumbi jamais soou tão bem em estúdio quanto agora.
(Rodrigo Brandão)
OTTO NO BB:
13/06/1999 – CHARLIE BROWN JR. E OTTO
17/03/2002 – AFROREGGAE E OTTO
Politeísta, o samba de Otto foi buscar na diluição e batuque de terreiro a ressonância com uma velha verdade da filosofia mais universal: “Só acredito nos deuses que dançam”. Eis o mistério da fé. “Condom Black”, segundo disco do galego do agreste pernambucano, está possuído por esse espírito, orixás e zumbis de todas as ordens e grandezas.
É o encontro de Exu com a suposta bondade que pode surgir a qualquer curva, como em “Anjos do Asfalto”, quando o batuque eletrocutado faz a rota e ordena: “ladeira, suba mais o meu caminho”.
No terreiro de Otto, brinca a Nação Zumbi (NZ) e várias das suas almas e elementos, o que parece trazer ao disco os raios e os trovões de Xangô. Tem a bateria Pupilo e o batuque de Marcos Axé e Toca Ogan – este merecidamente homenageado na faixa “Único Sino”.
Em “Hemodialisis”, música-crônica que lembra a tragédia da saúde no Brasil, juntam-se ainda o vocal da NZ. A letra é de Otto, com música de Lúcio Maia, Pupilo e Dengue.
Existe a lenda do segundo disco. Ou a síndrome, como queiram. Otto parece brincar com o suposto drama. Sem medo de ser pop, como na faixa “Pelo Engarrafamento”, road-balada e vertigem ’da rodagem.
O mesmo produtor do rebento “Samba pra burro”, também da Trama, Apollo 9 segura a onda e a canoa do batuque eletrônico na segunda parada musical do galego do agreste. Rica Amabis e Max de Castro, colaboradores na produção e arranjos, dão a mão que faltava na dança dos orixás.
No capítulo das participações especiais, Chorão (Charlie Brown Jr.) põe um acento rap no hino religioso “Cuba”, sincretismo que junta o papa, Fidel, Xangô, Iemanjá, e uma superstição de primeira: “não fale mais em desgraça/ falar em zica só atrasa”.
Condom Black é samba de proteção, o sexo abusado, bom e seguro. Eram os deuses dançarinos, pés-de-valsa, caboclos tocados, preto véio do drum‘n‘bass e dos subúrbios de Chicago. Os deuses que dançam qualquer macumba e brincam de folguedos para os turistas.
(Xico Sá)
(fonte Bem Brasil / Tv Cultura)
Links:
» Site do Bem Brasil / Tv Cultura
» Nação Zumbi no Guia do Rock
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