
Em entrevista, o vocalista Fabinho Chupeta afirma que não quer mais fazer shows
em 31/07/2004 por Hugo Montarroyos
Logo após o polêmico show do Textículos de Mary no Teatro do Parque, corri para o camarim para entrevistar a banda e saber o que de fato havia acontecido. Leia o bate papo na íntegra com Fabinho Chupeta, vocalista do grupo, que fala sobre o futuro da banda, a confusão no show e…macaxeira! Confira a entrevista abaixo:
O que aconteceu para o show acabar antes do previsto?
Cortaram o som. Foi tudo muito rápido. A gente já tinha um tempo reduzido e um show pronto que não pudemos tocar.
Faltavam quantas músicas para terminar o show?
Seis músicas. Aí cortaram o som e disseram que a polícia estava aqui pra pegar a gente. Eu gosto de polícia. Adoro homem fardado (risos).
A banda acabou mesmo?
Eu não subo mais no palco, isso é sério!
Por quê?
Porque Recife é uma merda. Essa cidade é feita para destruir o que é bom. Existe um nazi-fascismo-afro-brasileiro aqui. Você acaba sendo forçado a tocar maracatu. Se você não toca, os políticos locais acham que você não está fazendo cultura. Há sete meses que o Textículos não toca porque ninguém chama a gente. Não existe mais na cidade um espaço pra gente fazer show. A gente acaba tendo que pagar pra tocar, o que é um absurdo! Isso cansa qualquer banda…
Fora de Recife vocês não têm espaço pra tocar? Vocês já foram capa até da “Ilustrada” (caderno de cultura da “Folha de São Paulo”)…
E quem paga a passagem? Ou a gente vai passar fome em São Paulo ou fica aqui na lama mesmo…
No momento, o que você faz fora da banda?
Eu estou fazendo mestrado em arqueologia. É isso que tá tomando meu tempo. Tá todo mundo na banda fazendo um milhão de coisas para sobreviver.
No início da carreira você declarou que a proposta da banda era lançar três discos e encerrar a carreira…
É. A gente tem os três discos prontos. A gente é um acontecimento datado, e não uma grande banda de rock. Não somos Rolling Stones ou David Bowie. Somos um fenômeno.. Temos ainda várias coisas pra lançar que envolve a Textículos de Mary. A banda era só um aspecto. O projeto ainda não acabou. O que acabou foi a apresentação no palco. Acho que ainda sai o segundo disco, pra gente poder registrar as músicas novas, mas falta dinheiro. Talvez a gente se venda mais uma vez pra conseguir dinheiro para fazer o segundo disco.
Vocês ainda não receberam o cachê da “Morango Produções” referente ao show que vocês fizeram no “Juventude Legal”, em dezembro de 2003?
Não. Inclusive a gente só tocou lá porque era uma coisa de frango (risos).
E esse cachê não recebido corresponde exatamente ao valor que falta para concluir o disco?
Isso. E assim fica difícil trabalhar em Pernambuco. Aqui tem um nazi-fascismo popular. Por isso que eu levantei aquela macaxeira em defesa da gente…
Ele não só levantou a macaxeira como fez dela gato e sapato. Para saber como foi o último show da banda de Chupeta, Lollypop e Silene Lapadinha veja a cobertura do Projeto Seis e Meia com Eduardo Dussek e Textículos de Mary.

Links:
» Textículos de Mary no RecifeRock
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